“Sempre que penso nas mulheres, me vem a imagem
de um rio enorme e caudaloso que temos que atravessar. Umas
apenas molham os pés e desistem, outras nadam até a metade
e voltam, temendo que lhe faltem as forças. Mas há aquelas
que resolvem alcançar a outra margem custe o que custar. Da
travessia, vão largando pedaços de carne, pedaços delas mesmas.
E pode parecer aos outros que do lado de lá vai chegar um trapo
humano, uma mulher estraçalhada. Mas o que ficou pelo caminho
é tão somente a pele velha. Na outra margem chega uma nova
mulher…”//Zuleica Alambert